Há juízes que alcançam elevadas taxas de acordos de pacificação em casos que, à partida, pareceriam impossíveis entre progenitores em litígio. Como é possível?

A estratégia judicial aborda divórcios sem consentimento de um dos cônjuges quando há filhos menores, regulação de responsabilidades parentais, e iniciativas de proteção. Quando identificados sinais de que a criança sofre um processo de descrédito de um dos progenitores, define-se uma abordagem específica para cada situação, frequentemente adaptada ao longo do processo.

"Procura-se ultrapassar este ambiente profundamente maltratante e stressante, que afeta as relações de filiação com o progenitor alienado, mas, sobretudo, atinge todo o desenvolvimento e saúde, física e psíquica, da própria criança."

O que este trabalho nos mostra é que, mesmo nos conflitos mais enraizados, a intervenção precoce e especializada pode criar condições para um acordo. Não porque os adultos deixem de estar em conflito, mas porque aprendem a proteger os filhos desse conflito.

É precisamente esse o propósito da terapia parental e familiar: não forçar a reconciliação, mas criar as condições para que a função parental possa existir, separada do conflito conjugal.

Fonte: Baseado em artigo da Revista Visão, J. Plácido Junior (janeiro de 2016).