O aumento dos nascimentos fora do casamento tem de ser lido como fazendo parte de um ciclo caracterizado pelo aparecimento de novas tendências, maiores taxas de divórcio, relações conjugais não formalizadas e aumento do celibato voluntário.

Como notam Ferreira e Aboim, "estas novas tendências sugerem a emergência de novas formas de organização e de legitimação familiares que confrontam e concorrem com o modelo clássico de família nuclear."

A modernidade transformou profundamente os laços conjugais. O casamento deixou de ser uma instituição definida pela permanência e passou a ser entendido como um projeto em construção permanente, sujeito à revisão, à dúvida, e à possibilidade de dissolução.

Esta transformação não é apenas demográfica. É, acima de tudo, psíquica: exige dos indivíduos uma capacidade de vinculação e de perda que as gerações anteriores não eram chamadas a exercer da mesma forma.

Referência: Pedro Moura Ferreira e Sofia Aboim, Análise Social, ICS-UL.